terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Hoje

Hoje escolhi viver
Achar graça das pequenas coisas
Até das minhas dores
Rir de mim.
Hoje escolhi amar, amar, amar...
Amar sem reservas, sem medo
Me amar.

Hoje escolhi ser feliz
Deixei a solidão. Guardei. Escondi...
Abandonei a tristeza, a negatividade, a dor...

Pensar, só em mim!

sábado, 3 de julho de 2010

O viver

Vivo como se não existisse o amanhã
Ah! Se fosse fácil viver como falo que vivo.
Eu te ouço, dúvida. Te imagino e o meu coração imediatamente se converte.
Por que me preocupo tanto? Morri em minha essência?
Ouço um ruído: estou viva! A bela flor dilacerada deixara uma semente.
Algum tempo se passou, mas continuo a mesma - quem sabe melhor do que fui.
Acredita em mim, eu juro!
Confia, mesmo não podendo explicar.
Faça-me, também, enxergar que ainda sou.
“Eu sou a única prova de mim.”

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Não foi tua culpa

Muitas vezes a vida não joga tão bem,
Se destroem as coisas e os sonhos também,
Nossos olhos se enchem de lagrimas,
Lembrando o que aconteceu


Ninguém nunca nos disse ou tentou ensinar,
Que alguns que se amam podem se odiar,
Quando não se permite ao amor respirar o orgulho consegue ganhar.
Sei não é fácil ver desmoronar,
Tua felicidade num castelo de areia,
Ouvi essas vozes na escuridão
Te acusando e reclamando.


Não foi tua culpa que não te engane com isso,
Não foi tua culpa liberta-te desse peso
Não te torture pensando que mal tens feito
Se deus não te acusa ninguém mais tem o direito
Não foi tua culpa


Não tenha vergonha se queres chorar
Tens uma ferida que deve curar
E se queres olhar a diante o passado se deve sarar
Eu sei não é fácil falar de perdão
O ódio atrapalha e escurece a razão
Já não busques culpados em teu coração
Mas um refugio onde possas amar


Tenha coragem e segue lutando
A muito por amar em Deus não pensa em deixaste
Se andam falando que a historia acabou
A verdade é outra apenas estás começando


Não foi tua culpa que não te engane mais com isso,
Não foi tua culpa liberta-te desse peso
Não te torture pensando que mal tens feito
Se deus não te acusa ninguém mais tem o direito


Tens mais uma chance de ser feliz
Ainda pode dizer ao amor
Que sim

Música: Ziza Fernades

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Namorando...

Eu quero te entender
Eu quero te levar pra conhecer
Os vales do Senhor
Aonde corre o leite, o mel e o amor
Eu quero a tua mão
Fazer morada no teu coração
Eu quero estar e ser contigo em Deus

Eu quero te abraçar
Assim como eu abraço a minha fé
Eu quero construir
A estrada do futuro desde já
Eu quero me unir
Na benção que o amigo vai nos dar
Eu quero estar e ser contigo em Deus

Ah, Deus queira que assim eu possa amar
Te dar o meu coração, essa é a minha vocação
Contigo o amor não se acaba
Ah, Deus queira que assim eu possa amar
Dar antes de receber, ter paciência entender
Contigo o amor não se acaba

Eu quero envelhecer
Estando sempre aqui ao lado teu
Contigo até o fim
Contigo até quando Deus quiser
Os filhos por aí
E você sempre aqui ao lado meu
No fim será só eu, você e Deus

Ah, Deus queira que assim eu possa amar
Te dar o meu coração, essa é a minha vocação
Contigo o amor não se acaba
Ah, Deus queira que assim eu possa amar
Dar antes de receber, ter paciência entender
Contigo o amor não se acaba

 Composição: Rodrigo Grecco

terça-feira, 8 de junho de 2010

Dedico aos meu queridos amigos! Minha fortaleza...




    Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

    E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências. A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

    Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!

    Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer.

    Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos! A gente não faz amigos, reconhece-os.


(Vinícius de Moraes)




quinta-feira, 27 de maio de 2010


“ Senhor, que és o céu e a terra, que és a vida e a morte! O sol és Tu e a lua és Tu e o vento és Tu!




Tu és os nossos corpos e as nossas almas e o nosso amor és Tu também. Onde nada está Tu habitas e onde tudo está - (o teu templo) - eis o Teu Corpo.



Dá-me alma para Te servir e alma para Te amar. Dá-me vista para Te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para Te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em Teu Nome.



Torna-me puro como a água e alto como o céu. Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos. Faze com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-Te como a um pai…



Minha vida seja digna da Tua presença. Minha alma possa aparecer diante de Ti como um filho que volta ao lar. Torna-me grande como o Sol, para que eu Te possa adorar em mim; e torna-me puro como a lua, para que eu Te possa rezar em mim; e torna-me claro como o dia para que eu Te possa ver sempre em mim e rezar-Te e adorar-Te. Senhor protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu. Senhor livra-me de mim…”



Fernando Pessoa em “O Eu Profundo“.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Lágrimas?


Hoje chorei

Tal ato estava longe, mas o vejo de volta.
Veio sem avisar, sorrateiro...

Lágrimas de um sofrer,
Lágrimas de amar,
Lágrimas de angústia,
Lágrimas de felicidade,
Lágrimas de saudade...

Quanto atrevimento existe nelas.
Fluem sem que eu as permita.
Eu sei, não fazem por mal
Só almejam aliviar o que está dentro
Lavar a alma, tirar as areias...
E exposta me assisto.


Queria dominar o coração
Acho que é de lá que brotam as lágrimas.
Seria tão simples: Seja feliz, agora!
Tum-tum, Tum-tum... É só o que sabe ‘responder’.
Ora mais rápido, ora nem tanto.
Do jeito que quer...
Fico tentando, tentando. Inútil.
Minha sorte é que ele sempre acerta.
Tem um fiel aliado: o tempo!

Quero viver, quero ser feliz, me encontrar no perdido... Quero amar
E, se possível, que me amem também, que pronunciem meu nome com amor.
Quero que me chamem para dormir: deita aqui, eu cuido de você!


É isso! Chorar não é reflexo de fraqueza
É a extremidade de amar.
As lágrimas também carregam em si: estou contigo,
Vamos conseguir, não te deixarei, fique calmo... Eu te amo!

Muitas vezes a dor da saudade se liberta com as lágrimas.

Hoje chorei
Amanha, se precisar, choro outra vez!


“Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume; e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lágrimas banhavam os pés do Senhor e ela os enxugava com os cabelos, beijava-os e os ungia com o perfume” (Lc. 7, 36-38)


sexta-feira, 12 de março de 2010

O AMOR MADURO

                                                                                                                            Por Arthur da Távola.


O amor maduro não é menor em intensidade.
Ele é apenas quase silencioso.
Não é menor em extensão.
É mais definido, colorido e poetizado.
Não carece de demonstrações:
presenteia com a verdade do sentimento.
Não precisa de presenças exigidas:
amplia-se com as ausências significantes.


O amor maduro tem e quer problemas,
sim, como tudo.
Mas vive dos problemas da felicidade.
Problemas da felicidade são formas trabalhosas
de construir o bem e o prazer.
Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro.


Na felicidade está o encontro de peles,
o ficar com o gosto da boca e do cheiro,
está a compreensão antecipada, a adivinhação,
o presente de valor interior,
a emoção vivida em conjunto,
os discursos silenciosos da percepção,
o prazer de conviver, o equilíbrio de carne e espírito.
Carne intensa, alegre, criança, redescobrimento
das melhores dimensões pessoais e alma refeita,
abastecida de todas as proteções necessárias,
um enorme empório de afinidades acima e além
de meras concordâncias intelectuais.
Os problemas daí derivados são os problemas da felicidade.
Problemas, sim, alguns graves.
Mas estalantes de um sentimento bom.

Na infelicidade estão a agressão, o desamor,
o não conseguir, a rejeição, a dor, o cansaço
a troca com perda, a obrigação, o tédio, o desencontro,
o insulto, o ciúme machucante, as futricas de família,
as peles se eriçando e os toques que dão susto.
Os problemas da infelicidade não devem ser trazidos
para a trama do amor maduro.
O amor maduro é sólido e definido.
Mas estranhamente se recolhe
quando invadido pelos problemas
da infelicidade que fazem a glória do amor imaturo.
Acaba acabando.


O amor maduro não disputa, não cobra,
pouco pergunta, menos quer saber. Teme, sim.
Porém não faz do temor argumento.
Basta-se com a própria existência.
Alimenta-se do instante presente valorizado e importante
porque redentor de todos os equívocos do passado.
O amor maduro é a regeneração de cada erro.
Ele é filho da capacidade de crer e continuar.
É o sentimento que se manteve mais forte
depois de todas as ameaças, guerras ou inundações existenciais
com epidemias de ciúme, controle ou agressividade.


O amor maduro é a valorização do melhor do outro
e a relação com a parte salva de cada pessoa.
Ele vive do que não morreu mesmo tendo ficado para depois.
Vive do que fermentou criando dimensões novas
para sentimentos antigos, jardins abandonados cheios de sementes.
Ele não pede, tem. Não reivindica, consegue.
Não persegue, recebe. Não exige, dá. Não pergunta, adivinha.
Existe, para fazer feliz.
Só teme o que cansa, machuca ou desgasta.


O amor maduro não precisa de armaduras, coices, cargos
iluminuras, enfeites, papel de presente, flâmulas, hinos,
discursos ou medalhas:
vive de uma percepção tranqüila da essência do outro.
Deixa escapar a carência sem que pareça paupérrima.
Demonstra a necessidade sem que pareça voraz.
Define uma dependência sem que se manifeste humilhante.

O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão.
Basta-se com o todo do pouco.
Não precisa nem quer nada do muito.
Está relacionado com a vida e sua incompletude,
por isso é pleno em cada ninharia por ela transformada em paraíso.
É feito de compreensão, música e mistério.
É a forma sublime de ser adulto
e a forma adulta de ser sublime e criança.
É o sol de outono: nítido mas doce.
Luminoso, sem ofuscar.
Suave mas definido.
Discreto mas certo.
Um sol, que aquece até queimar.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Rifa-se um coração (quase novo)

Rifa-se um coração quase novo.

Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade
está um pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos, e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente
que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado,
coração que acha que Tim Maia estava certo
quando escreveu... "não quero dinheiro,
eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece,
e mantém sempre viva a esperança de ser feliz,
sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações
e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste
em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que,
abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado
indicado apenas para quem quer viver intensamente e,
contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida
matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:
" O Senhor poder conferir", eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer".
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro
que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que,
ainda não foi adotado, provavelmente,
por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar, mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário
a publicar seus segredos e, a ter a petulância
de se aventurar como poeta.

Clarice Lispector

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

No vazio, gratidão!



Inquieta cobiça instala-se em mim.
Desconhecido comportamento: possuir-me;
Ser senhor de mim para dar-me.
Amar sem reservas, sem medidas... Somente amar!
Renunciar meus bel-prazeres: olhar-te, contemplar-te.

Quero ver a Sua face, rasga o véu.

Onde todos ambicionam tomar e receber, almejo doar e perder.
Só Tu importas. Meu coração é Teu, com uma luz decisiva.
Tudo em mim pertence a Ti; meu Mestre, meu Senhor!
Posso tentar me esconder, mas sempre me encontro em Ti.
Sua face foi revelada...

Você faz muita falta!

Caminho na escuridão. O perdi de vista.
É claro, como pude esquecer?
É hora de fazer a minha parte: eu sou livre, assim fui criada.
Eu sei que estás aí, me observas... Lá ao longe...
Ao menos Tu não me abandonas.

Obrigada!

Preciso aprender a atravessar meus próprios desertos;
Sei que encontrarei um oásis no âmago da minha alma.
A gratidão é o meu tudo; só o que me resta...

O verdadeiro eu foi revelado:
Meu Senhor, não sou nada sem Ti!


“Para amar é preciso possuir-se; e para possuir-se é preciso exercitar o amor.”